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Dados do Trabalho


Título/Title/Titulo

Osso compacto: fonte promissora de células-tronco mesenquimais murinas

Introdução/Introduction/Introdución

As células-tronco mesenquimais (CTMs) da medula óssea são componentes do nicho hematopoético e apresentam a capacidade de diferenciação em adipócitos, osteócitos e condrócitos. O potencial de diferenciação apresentado por essas células fez com que se tornassem foco de diversos estudos, pois proporcionam um avanço para a medicina regenerativa e terapia celular. Acreditava-se que essas células estavam presentes na região perivascular da medula óssea, no entanto, posteriormente, foi observado que elas também ocupam a região do endósteo, superfície interna da cavidade óssea que desempenha importante papel na manutenção do nicho hematopoético. Estudos recentes sugerem que há duas populações de CTMs distintas na medula óssea, uma que ocuparia a região perivascular e outra a endosteal, e que as CTMs do endósteo seriam as responsáveis pela geração dos tecidos esqueléticos durante a fase de desenvolvimento. Desse modo, o osso compacto, incluindo a região do endósteo, poderia ser uma fonte viável de CTMs em estudos relacionados à diferenciação osteogênica e regeneração do tecido ósseo.

Objetivos - Metodologia - Resultados - Discussão dos Resultados/Objectives - Methodology - Results - Discussion of Results/Objetivos - Metodología - Resultados - Discusión de los resultados

O objetivo deste trabalho foi caracterizar in vitro CTMs murinas isoladas do osso compacto (OC-CTMs) e compará-las com CTMs isoladas da medula óssea (MO-CTMs), uma vez que estas últimas também ocupam o microambiente medular, são bem caracterizadas na literatura e seu uso na terapia celular melhor estabelecido. As CTMs foram isoladas de camundongos machos da linhagem C57BL-6 GFP, cultivadas em condição de hipóxia a 5% O2, 5% CO2 e 90% de atmosfera úmida a 37°C e avaliadas nas passagens 3-5 quanto à capacidade de proliferação celular, diferenciação osteogênica e perfil de expressão gênica. As OC-CTMs apresentaram capacidade de proliferação celular em média aproximadamente 9,6 vezes maior que as MO-CTMs após 6 dias de cultivo. Na análise do crescimento celular das OC-CTMs a cada 24 horas, foi possível observar que até o terceiro dia de cultivo as OC-CTMs apresentaram um aumento no número de células e foram capazes de mantê-lo estável até o sexto dia. Adicionalmente, as OC-CTMs apresentaram capacidade de diferenciação osteogênica aproximadamente 2,4 vezes mais eficiente que as MO-CTMs. Com relação ao perfil de expressão gênica, foram analisados os genes IL-6, PDGBR-b, IL-10, STAT-3, TNF e VEGF-a. O gene IL-10 foi expresso aproximadamente 22 vezes mais pelas MO-CTMs. Este gene já foi descrito como um inibidor da diferenciação osteogênica de CTMs murinas da medula óssea, inibindo a produção de TGF-β1, que é um importante componente para a osteogênese nessas células. Nossos resultados sugerem que o osso compacto é uma fonte potencial para a obtenção de CTMs, as quais podem proliferar in vitro mais rapidamente que as CTMs da medula óssea e gerar osteócitos de modo mais eficiente.

Considerações Finais/Final considerations/Consideraciones finales

Desse modo, tratando-se de estudos que envolvem a osteogênese ou até mesmo modelos experimentais de nicho hematopoético, as CTMs obtidas do osso compacto podem ser apontadas como uma alternativa promissora. Conhecer as características das populações de CTMs presentes no microambiente medular pode contribuir para uma melhor seleção do tipo celular a ser utilizado.

Apoio Financeiro: FAPESP (Processo FAPESP: 2017/12663-5), CNPq CTC, INCTC e FUNDHERP.

Palavras-chave/Key words/Palabras clave

Células-tronco mesenquimais; medula óssea; osso compacto;

Área

Mesenchymal stem cells/adultas

Autores

RAFAELA ROSSETTI, FERNANDA URSOLI FERREIRA, JULIANA DE MATOS MAÇONETTO, PÉRICLES NATHAN MENDES DA COSTA, SIMONE KASHIMA, DIMAS TADEU COVAS